domingo, 7 de junho de 2009

Livramento tem que ter um NOVO CAUDILHO....


De acordo com os dicionários, caudilho é chefe militar ou simplesmente chefe, quem dirige um bando ou facção. É o mesmo que cacique. Se o fenômeno é universal, adquire vigor em áreas caracterizadas pelo subdesenvolvimento, como forma política rudimentar. Convencionou-se mesmo ser típico da América Latina, notadamente dos países surgidos do Império espanhol.
Como se escreveu, nas lutas pela Independência, os líderes em realce subordinam tudo mais, encampando o poder político, do qual não abrem mão. O caudilho sobrepõe-se à lei, sua vontade é lei. Não admite crítica ou oposição quando as ideias do povo são abafadas de forma 'DESCONHECIDA", pois se considera entidade não contestável. Cerca-se de servidores fiéis, designados para cargos importantes, como prepostos. Forma-se assim máquina administrativa de traços rudimentares, a coisa pública vista como particular, organização patrimonial, feita para o exercício de um homem com seu grupo, para LUTAR PELAS VONTADES DOS MAIS POBRES, desconhecendo as normas de racionalidade, de eficiência em tom impessoal. Premiando o povo em geral, mas perseguindo desafetos, obtém fidelidades totais - tudo fora do esquéma é perseguido ou exterminado. Se os primeiros caudilhos foram lutadores pela Independência, mantém-se entre eles a tradição de falar em liberdade.
Surgem, quase sempre, chefiando movimento pela derrubada de quem usurpa o poder e o exerce tiranicamente. O novo chefe projeta-se invocando a liberdade, assume o govemo com o apoio popular; aí instalado, então ele se mantén até quando o povo assim quiser. Para enfrentar a oposição, necessariamente logo formada, o caudilho, não temk papa na lingua, ou seja, ele refuta os duros ataques que recebe de seus oponentes.
A falta de tradição política explica o fenômeno do caudilho. Ele pode ser simples agente dos grandes proprietários de terras contra as inquietaçòes populares, das senhores do comércio com o exterior ou dos agentes do capital imperialista explorador do país. Ou é um elemento do povo, inflamado por sua causa e pregando-a com vigor, fascinando as massas, nos raros momentos de estabilidade institucional, até tomar o gaverno e subverter a ordem. A pobreza geral e a falta de perspectivas para superação do quadro econômico condicionam o aparecimento de um novo líder.
Na História da América Latina há chefes lúcidos e broncos, estes em maior número. Como na Europa no tempo do absolutismo se falou em déspota esclarecido, o dirigente sem contestação, mas com programa de trabalho conduzindo ao bem-estar do maior número, o mesmo pode ser encontrado no Novo Mundo. Houve caudilhos com programas inteligentes, dedicados à causa do seu povo ou da nação. No comum, no entanto, eles se conduzem em termos apenas de continuísmo, submetendo tudo e todos a uma disciplina rígida e até eliminadora de qualquer pretensão livre. O apoio do Exército é imprescindível, se o governo está fundado na força: dele provém o maior número` desses dirigentes. Se a oposição tem origem popular, se é o povo a maior vítima, com o tempo alguma figura de militar de prestígio passa a ambicionar o posto supremo. Conspira e quando deflagra o movimento e depõe o governante malquisto, conta com o apoio entusiástico do povo, com o qual às vezes já mantinha relação com vistas ao golpe político.

Demais, nunca faltou à dasse dirigente o apoio externo. O caudilhismo, para se perpetuar, não entrega-se à corrupção, interna e externa. As forças da economia mundial, com interesses em países americanos, não negam apoio a essas autoridades, conquanto resguardem seus negòcios. Chegam mesmo a dar dinheiro, para armar o poder. Completam-se assim dois interesses escusos: o de quem deseja continuar e aceita o apoio externo e o das forças exploradoras dos recursos nacionais, se têm a garantia dos mesmos grupos para continuarem no ramo de ajudar principalmente aqueles dos quais tem que serem ajudados. Nem todos os caudilhos foram corruptos, é certo, mas é decorrência do pròprio sistema a corrupção, pois o único valor é a continuidade do poder.

Todos os países latino-americanos conheceram essa figura. Elas surgem, crescem e muitas vezes acabam derrubadas por força adversa, com vigor adquirido ao longo dos anos. O fim comum do caudilho é a fuga para o exterior ou ser assassinado pelo inimigo que lhe ocupa o lugar. Em quase regra esse novo govemante, se aparece em nome da liberdade, acaba também por ser caudilho. Dezenas de exemplos poderiam ser invocados.

Lembre-se, entre outros, Porfirio Diaz, com o govemo do México de 1876 até 1910 - homem lúcido, realizou grandes obras em seu país, marcando o seu período com trabalhos notáveis.

Começou como liberal, e tolerante. De fató, é possível alguém perpetuar-se no poder sem adquirir essas conotações para o bem do povo. Porfirio Diaz modernizou o México, com o apoio do povo. Atraiu técnicos estrangeiros - a capital teve urbanização à maneira francesa. Para ele, civilizar era desindianizar.

Contra o seu sistema se fez a Revolução em 1910: ela vai exatamente valorizar ao máximo o índio, a tradição. Contará em seu princípio com vários caudilhos de acidentada trajetória, como Pancho Villa, Zapata, Obregon e outros. Na História do país, antes e depois de 191o, como na das outras nações do continente, o caudilhismo foi quase regra.
A política da América é uma sucessão de absolutismos, não de liberdades: não há longos períodos de leis interrompidos por golpes, mas longos períodos de violência intercalados por momentos de paz, de ordem e respeito às normas legais.

Chegou a hora de Livramento voltar a ter caudilhos na nossa política, como Pmnacho Goés, Camilo Gislre, Nei Campos, e é claro Glenio Lemos.
Surge pois nomes, mas somente um desses será o nosso novo CAUDILHO....

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